7o Concurso Nacional das Acervas

Como a maioria já sabe no próximo feriado de corpus christi (7, 8 e 9 de junho) acontecerá em Piracicaba-SP o 7o Concurso Nacional das Acervas. Junto com o concurso acontecerão palestras e festivais de cerveja caseira e artesanal.

Eu me inscrevi no concurso em 4 dos 5 estilos com as cervejas abaixo:
- American IPA
- Dr. Piló Russian Imperial Stout
- I.R.A. Irish Red Ale
- Maracugina – Witbier com maracujá

(Nos posts antigos do blog estão disponibilizadas as receitas, fotos e impressões das primeiras degustações)

No sábado passado fui tenso até Piracicaba, na Dama cervejaria, entregar as minhas amostras que irão participar do concurso. Levei tambem a RIS e APIA do Edson Piovanni e do Marcelo Américo de Boituva-SP. Aproveitei a visita a Dama para comprar um kit com as cervejas deles, já que não conhecia a cervejaria.

Agora é conter a ansiedade e aguardar mais uma semana e meia para o resultado do concurso. Espero ter pelo menos uma cerveja entre os top 10, mas no final o mais importante vai ser receber o retorno dos juízes sobre as minhas cervejas.

Aos colegas cervejeiros que forem ao concurso, se esbarrarem por mim parem para dar um alô. Vai ser bom conhecer todo mundo do meio.

Depois do concurso eu conto como as cervejas foram avaliadas e como foi todo o evento.

Porter P1 e P2

Como já havia comentado a algum tempo as duas brassagens que havia programado para julho e início de agosto eram duas porters.

A decisão de brassar uma porter foi para homenagear um grande amigo, Ernesto, que mesmo de longe fica babando nas fotos das cervejas que fiz até hoje. E sendo ele um fã de porters, stouts e weissen resolvi por fazer uma delas para fazer ele babar ainda mais.

Para ajudar na motivação de fazer a porter o pessoal da Confraria Sorocabana resolveu organizar o 1o Concurso de Cerveja Artesanal de Sorocaba e o estilo escolhido foi justamente o Robbust Porter. Como o concurso foi marcado para o dia 27 de agosto me programei para fazer as duas receitas com tempo suficiente para ter ambas prontas nesta data.

Como pretendia fazer duas cervejas bem próximas do estilo e iria participar de um concurso onde, como já falei antes, não há lugar para invencionismos, busquei aprender o máximo sobre o estilo.

Primeiro li o capítulo específico do estilo no livro Designing Great Beers do Ray Daniels. Depois pesquisei um pouco no fórum do homebrewtalk.com por receitas similares para usar como inspiração. E por último li o ótimo blog Shut up about Barclay Perkins do Ronald Pattinson que analisa as receitas das antigas cervejarias inglesas e tem ótimos artigos sobre como eram feitas as porters do século 18.

Depois parti para degustar algums exemplares de porter como a Fuller’s London Porter, a Harviestoun Old Engine Oil, Meantime Choccolate Porter e London Porter.

E por último participei do workshop organizado pela confraria com o Alexandre Bazzo, cervejeiro da Bamberg, onde degustamos algumas das cervejas acima e pudemos discutir um pouco mais o que é esperado do estilo e o que podemos variar.

Feito tudo isso parti para a receita. Como fiquei com dúvida sobre quais maltes torrados usar, segui o conselho da Érica e fiz duas receitas.

Ambas foram calculadas para lotes de 19l com eficiência de 65%.

Para ficar dentro do estilo precisava tentar atingir estas características:

OG: 1.048 – 1.065
IBUs: 25 – 50
FG: 1.012 – 1.016
SRM: 22 – 35
ABV: 4.8 – 6.5%

P1

4.0 kg malte Pilsen Agromalte
1.5 kg malte Pale Ale Weyermann
0.5 kg malte CaraMunich II
0.35 kg malte Carafa Special I
0.25 kg Aveia em flocos
0.1 kg malte Carafa Special III
0.1 kg malte CaraAroma
60 g de lúpulo Fuggle a 60min
30g de lúpulo Fuggle a 30min
1 sachê de fermento S-04

Target:

OG: 1.065
IBUs: 40
FG: 1.016
SRM: 30
ABV: 6%

A brassagem foi feita desta forma:
15 minutos a 50 graus para a parada proteica
15 minutos a 60 graus
45 minutos a 68 graus
5 minutos de mash out 74 graus

P2

4.0 kg malte Pilsen Agromalte
1.5 kg malte Pale Ale Weyermann
0.75 kg malte CaraMunich II
0.25 kg malte Carafa Special II
0.25 kg Aveia em flocos
0.1 kg malte Carafa Special I
60 g de lúpulo Fuggle a 60min
30g de lúpulo Fuggle a 30min
1 sachê de fermento S-04

Target:
OG: 1.065
IBUs: 40
FG: 1.016
SRM: 27
ABV: 6%

A brassagem foi feita desta forma:
15 minutos a 50 graus para a parada proteica
60 minutos a 68 graus
5 minutos de mash out 74 graus

Em ambas a fervura foi de 60 minutos, a fermentação foi feita por 7 dias a 19 graus e maturação por mais 7 dias a 1 grau.

A brassagem de ambas foi tranquila pois consegui atingir a OG desejada para a P1 e a P2 ficou mais alta (1070 g/l) devido a evaporação excessiva. Vou diluir a P2 com 2l de água quando for fazer a trasfega para baixar o efeito da OG alta. Com a adição dos 2l seria como se o OG fosse 1065 g/l.

P1 na parada proteica

P1 na parada proteica

P2 na fervura

P2 na fervura

Ao engarrafar a P1 fiquei muito feliz com o sabor e o aroma. Ela está bem equilibrada no café e chocolate como esperado apesar de estar com aroma bem alcoólico. Umas semanas na garrafa devem atenuar este aroma.

P1 no dia da trasfega.

P1 no dia da trasfega.

A P2 já no primeiro dia de fermentação soltava um aroma forte de chocolate pelo respiro do fermentador indicando que ele vai puxar mais para este do que para o café como esperado. Agora é deixar o fermento fazer a parte dele para depois diluir, trasfegar e colocar para maturar a 1 grau por uma semana.

Update (9 de agosto de 2011):

P1 pronta

P1 pronta

Depois do concurso eu posto aqui como ela foi avaliada.

Update (29 de agosto de 2011):

Infelizmente nem a P1 e nem a P2 ficaram entre as 5 primeiras no concurso.
A P1 ficou com um torrado muito intenso, um pouco fora do estilo (mais parecida com uma Old Engine Oil do que com uma Meantime London Porter).
A P2 ficou mais próxima do estilo, com o torrado e o chocolate mais suaves mas acho que alguns off flavors e falta de carbonatação acabaram prejudicando a breja. Várias garrafas que abri estavam com um gosto metálico e um pouco medicinal. Talvez pela água filtrada em casa que usei para completar a água de sparging. Agora o motivo da falta de carbonatação eu não sei dizer. Só sei que apesar de usar 7g/l de açúcar nenhuma garrafa atingiu uma carbonatação tão boa quanto na P1.

Daqui a alguns meses vou repetir ambas as receitas para verificar se consigo melhorar alguma coisa nelas e vou usar o post mix e cilindro de CO2 para atingir a carbonatação desejada para ambas.

Assim que pegar as fichas de avaliação eu coloco aqui.

Loser Ale e o Concurso interno da ACervA Paulista

No sábado passado (11/06/2011) aconteceu o primeiro concurso interno da ACervA Paulista em Campinas. O estilo escolhido foi o American IPA. Como tinha brassado a um tempo a minha terceira leva de IPA resolvi correr na hora de engarrafar e levar uma amostra lá para ser avaliada. Fui sem pretensão nenhuma de ganhar e por este motivo resolvi levar a IPA que deixei maturando com geléia.

A experiência foi ótima e como resultado acabei batizando a minha IPA que maturou com geléia de Loser Ale. Segundo a avaliação dos juízes ela ficou tão fora do estilo que resolvi nem chama-la mais de IPA. Vai de Loser Ale mesmo.

Ficha de Avaliação da Loser Ale pela Kathia Zanatta

Ficha de Avaliação da Loser Ale pela Kathia Zanatta

O que aprendi é que em concursos não há espaço para invencionismos. O que precisa ser apresentado é o que é esperado do estilo. Não há nota para criatividade. Somente para quem melhor se enquadra na descrição do BJCP. Um artigo que ilustra bem isso é o Think Like a Judge que foi publicado na edição de Setembro/Outubro na revista ZYMURGY da American Homebrew Association.

Se tivesse levado a IPA Citra sem geléia com certeza a nota seria maior do que os 13 de 50 que a Loser Ale recebeu.

Agora é esperar que o próximo concurso interno da ACervA Paulista seja marcado para eu me preparar melhor.

Avaliando as cervejas no concurso interno da ACervA

Avaliando as cervejas no concurso interno da ACervA


Juízes avaliando as cervejas

Juízes avaliando as cervejas


And the winner is... Frederico Ming

And the winner is... Frederico Ming