1 ano fazendo cerveja em casa, 1 ano de blog

Hoje completa um ano que comecei a fazer cerveja em casa e pouco mais de um ano com o blog.

Só pra lembrar, comecei fazendo a IPA#1 no domingo 10 de abril de 2011 com ajuda do Reison Ferrari e da Érica Mosca, amigos e proprietários do Cervejário em Sorocaba. O blog começou um pouco antes, em 5 de abril de 2011, por causa da espectativa de começar logo na lida cervejeira.

Em um ano foram 16 brassagens de 10 estilos:
- 2 American IPA
- 2 Imperial IPA
- 2 Witbier com fruta (maracujá e acerola)
- 2 Porter
- 2 Pale Ale
- 1 Strong Ale
- 1 Sour Ale (pLambic)
- 2 Imperial Stout (1 com chips de carvalho)
- 1 Oatmeal Stout
- 1 Irish Red Ale

No blog foram:
- 55 posts
- 69 comentários
- 5969 views
- 372 views no dia mais movimentado, 3 de agosto de 2011
- 536 views no post mais visualizado, Cerveja e o Movimento Modernista Brasileiro

Foi um ótimo primeiro ano.
- Aprendi muito fazendo cerveja e lendo a respeito.
- Conheci muita gente com a mesma paixão
- Fiz pelo menos 3 cervejas das quais me orgulho muito e que foram elogiadas por várias pessoas (amigos ou profissionais do ramo)
- Montei meu equipamento básico e depois fiz o primeiro upgrade com os keggles e single tier brew stand
- Participei de dois concursos de cerveja caseira

Agora é torcer para que os próximos anos sejam melhores ainda.

Uma das minhas espectativas é ter bons resultados no concurso nacional das Acervas em Piracicaba. Outro é no 2o semestre de 2012 fazer o 2o upgrade do equipamento com mais um keggle (para aquecer a água de lavagem), mais uma bomba march e talvez eletrificar uma das panelas.

BBC

HISTÓRICO

A atividade cervejeira no Brasil está vivendo uma revolução que começou há cerca de dez anos. As importações de cervejas especiais aumentaram significativamente, cervejarias artesanais vem conquistando uma fatia importante do mercado – ainda que em comparação com as cervejarias de massa seja uma fatia pequena – e os cervejeiros caseiros estão proliferando velozmente e alcançando um nível de excelência na produção comparável ao de países com grande tradição nesta área.

Desde meados da década passada, um grupo de entusiastas acompanha de perto e documenta por meio da internet este processo, publicando cotidianamente ideias, informações e opiniões sobre as mudanças que assistimos neste setor no país. Trata-se de um grupo diversificado em pensamento e ação, que reúne profissionais dos mais diversos ramos do saber, unidos pela paixão por cervejas de qualidade: os blogueiros de cerveja.

Suas palavras alcançam um número crescente de leitores sedentos por saber mais sobre uma das bebidas mais antigas conhecidas pela humanidade. Por isso, influenciam um número também crescente de profissionais de mídia acostumados a lidar apenas com as gigantes cervejeiras globais que, por longos anos, mantiveram domínio absoluto do mercado.

Conscientes de seu papel na difusão da cultura cervejeira no Brasil, após realizarem trabalhos conjuntos para medir a amplitude deste movimento e desenvolverem um fórum online de debates, os blogueiros começaram a se organizar efetivamente em 2011. O presente documento tem a intenção de propor os pontos de convergência dos pensamentos dos integrantes – profissionais e amadores – deste grupo, e propor linha gerais de atuação que reflitam suas preocupações comuns.

PRINCÍPIOS

Os Blogueiros Brasileiros de Cerveja (BBC) entendem que a divulgação da cultura cervejeira e a análise do mercado cervejeiro devem obedecer a princípios fundamentais de ética, liberdade de expressão e responsabilidade.

Sendo assim, os integrantes do BBC passam a assumir perante o público os seguintes compromissos:

• De fornecer informações e opiniões isentas de influências comerciais indevidas, devendo ser expressas claramente quaisquer condições de produção do material que possam afetar essa isenção;
• De incentivar, em suas manifestações online e offline, o consumo responsável de bebidas alcoólicas;
• De identificar, sem exceções e com o devido destaque, a autoria e a fonte dos materiais (textos, vídeos, imagens) usados que não sejam de produção do responsável pelo blog e seus eventuais colaboradores;
• De indicar de forma objetiva, adotando quaisquer abordagens e nomenclaturas que julgarem convenientes, a forma de produção das cervejas apresentadas em resenhas e reportagens, distinguindo nitidamente as bebidas caseiras das comerciais;
• De adotar práticas condizentes com as boas intenções expressas neste documento, buscando o convívio harmonioso e o fortalecimento da união de esforços com os demais integrantes do grupo.

AÇÕES

Para identificar os blogs administrados em concordância com os princípios desta declaração, o grupo adotará um selo que será conferido, posteriormente, aos blogueiros que manifestarem vontade de agir de acordo com tais princípios, e deverá ser mantido por estes enquanto isto ocorrer.

Os blogs reunidos sob esta organização buscarão realizar ações conjuntas em prol da difusão da cultura cervejeira no país, que podem tomar a forma de campanhas, eventos, e quaisquer outros meios considerados compatíveis com os ideais expostos neste documento.

Tais ações poderão ser definidas e desenvolvidas por quaisquer dos integrantes do grupo, devendo ter o apoio dos restantes na medida do que estes considerarem pertinente.

Blumenau, Santa Catarina, 24 de março de 2012

ASSINADO
Alexandre Bratt – CluBeer

Bernardo Couto – Homini Lúpulo

Bruno Couto – Eu Bebo Sim

Daniel Conde Perez – A volta ao mundo em 700 cervejas

Fabian Ponzi – Bebendo Bem

Fabio Andreoli – Ein Prosit Empório

Fabio Hofnik – Cerveja Brasilis

Guilherm Schwinn - Gastrobirra

Gustavo Corrêa – De gole em gole

João Fanchin Queiroz – Bar do Jota

João Gabriel Margutti Amstalden – Panela de Malte

Linus De Paoli – Rotenfuss Bier

Lucas Serafini – Cervejas Especiais

Luciano Castro – O Mestre Cervejeiro

Luís Celso Sniecikoski Jr. – Bar do Celso

Marcelo Ricardo Monich – Cerveja? Gosto sim.

Marcio Beck – A volta ao mundo em 700 cervejas

Mauricio Beltramelli – Brejas

Nicholas Bittencourt – Goronah

Rafael Borges – Have a Nice Beer

Raphael Rodrigues – All Beers

Robson Vergilio – Vergilio

Local de trabalho

Até que eu tenha o meu 1 tier brew stand contruído esse vai ser o meu local de trabalho aos finais de semana.

Local de trabalho até ter o 1 tier construído

3000 visitas… Já?

Ontem o blog completou 3000 visitas, para comemorar vou postar dois textos sobre fermentação e fermento seco com informações obtidas no livro Yeast, do Chris White.

Até na Alemanha

Algum tempo atrás me deparei com o textoAnother sign of beer change in Germany” no blog Appellation Beer do Stan Hieronymus. O interessante do texto é como ele descreve a entrevista dada pelo cervejeiro Han-Peter Drexler da cervejaria Private Weissbierbrauerei G. Schneider & Sohn a revista All About Beer em 2008.

The German beer market is deadly boring,” disse ele a reporter Sylvia Kopp em 2008, “It is all very much the same. The tendency towards sameness is encouraged, for example, by our domestic beer tests rating beer only by its typicality and flawlessness. Creativity is only acted on in the beer mix category.

“O mercado (cervejeiro) alemão é entediante, é tudo mais ou menos igual. A tendência para fazer sempre a mesma coisa é encorajada, por exemplo, por avaliações de cerveja que presam pela caracterização dentro de um estilo e pela falta de defeitos. A criatividade só aparece na categoria de misturas de cervejas.”

Lendo o artigo completo da revista All About Beer Ruled by the Reinheitsgebot? percebemos que o mercado alemão de cerveja, ou o consumidor alemão de cerveja, é muito similar ao brasileiro. Outro ponto interessante do artigo é que ele é escrito por uma reporter alemã, sommelier de cerveja e juiz do World Beer Cup. Ou seja, é a visão local sobre o mercado local por alguém que entende do assunto.

No artigo a repórter relata como é difícil encontrar diversidade de cervejas nos bares e restaurantes da Alemanha. Ela conta que você só deve esperar encontrar a cerveja local ao entrar em um bar, uma Kölsch em Colônia, Helles na Bavaria, Bavarian Weißbier em Murnau própximo a Munich, Alt em Düsseldorf e Rauchbier em Bamberg, mas que na maioria dos bares a única cerveja disponível será uma Pilsner das grandes marcas como Krombacher, Bitburger, Beck’s, Veltins, Radeberger ou Warsteiner.

O texto também descreve como o alemão trata a cerveja como um comodity e que sempre que procura uma bebida mais complexa ele se volta para o vinho pois a cerveja é considerada uma bebida para matar a sede e não como algo complexo e refinado. Outro ponto é que o consumidor alemão é muito mais ligado a marca de cerveja, dando mais importância ao marketing do que ao sabor.

No entanto, mesmo com séculos de tradição, somente nos últimos anos que a situação começou a mudar. Primeiro com os cervejeiros dando uma ênfase maior para disceminar o conhecimento sobre a cerveja e com as cervejarias alemãs procurando sair do tradicional e introduzir sabores novos no mercado. Segundo Sebastian B. Priller, dono da Brauhaus Riegele, cervejaria de Augsburg:

“When it comes to beer, Germans focus more on marketing, branding, sponsoring, pricing and all that, instead of talking about the product itself. I think it is high time to put the beer first: its taste, its ingredients, the way it is brewed, the food it pairs with. And we need to live this culture and celebrate beer like they do with wine.”

“Quando se trata de cerveja, os alemães se preocupam mais com marketing, marca, patrocínio e preço ao invest de olhar o produto pelo que ele é. Eu acredito que é hora de colocar a cerveja em primeiro lugar: seu sabor, seus ingredients, a maneira como ela é feita, comidas que harmonizam com ela. E precisamos viver esta cultura e celebrar a cerveja como fazemos com o vinho.”

“Consumers won’t ask for beer culture by themselves. We have to celebrate it and show them how much fun it is to enjoy beer like this.”

“Os consumidores não irão solicitor por cultura cervejeira. Nós precisamos celebra-la e mostrar o quão divertido pode ser apreciar cerveja desta forma.”

Mas mesmo nesse panorama de mesmice alguns tentam inovar. Esta entrevista foi dada na mesma época da colaboração da Schneider com a cervejaria Brooklyn na cerveja Meine Hopfen-Weissen Tap 5 (ou Schneider & Brooklyner Hopfen-Weisse). Na época não existiam na Alemanha cervejas de trigo com uso acentuado de lúpulos de aroma. Em outro trecho da entrevista, agora com Georg Schneider IV, dono da cervejaria:

If you brew a beer that not everybody likes, you have the wonderful effect that people talk about it.

“Se você faz uma cerveja que nem todo mundo gosta você tem o maravilhoso efeito que todos vão falar a respeito”.

Na sequência, Drexler completa: “We’ve got to take people by the hand and lead them to new worlds of taste. Customers, as well as chefs, culinary staff and traders, are searching for innovations.”

“Nós precisamos guiar as pessoas pelas mãos e leva-las a novos horizontes de sabor. Os consumidores, assim como os chefs de cozinha, e distribuidores estão buscando por inovação.”

Em 2011 a Schneider lançou mais uma inovação no mercado alemão e mundial, a Tap X Mein Nelson Sauvin, uma Weissen com lúpulos da Nova Zelândia (Nelson Sauvin) também de caracter cítrico.

Bom ver que mesmo em um mercado marcado pelo tradicionalismo ainda existe gente inovando. Mais uma lição para os cervejeiros brasileiros.

1a Festa da Cerveja Artesanal em Tatuí-SP

Eu com minha esposa, família e amigos que foram prestigiar o evento

No último dia 23 aconteceu a 1a Festa da Cerveja Artesanal em Tatuí-SP. Este evento, do qual participei, foi organizado pelo Rotary Tatuí em conjunto com o professor/cervejeiro Flávio Isaac.

O idéia do evento, pelo que conta o Flávio, surgiu de uma conversa com o Rotary que estava interessado em fazer um jantar com vinhos artesanais. O Flávio conseguiu convencer o Rotary que cervejas artesanais seria mais interessante por propor uma mudança de hábitos e paradigmas das pessoas que fossem ao jantar.

Dito e feito. O jantar lotou sem qualquer divulgação prévia. Só no boca a boca apareceram cerca de 180 pessoas.

Para saciar a sede de tantos o Flávio recrutou um time bom de cervejeiros que levaram a sua produção para degustação. Foram:
- Nunes e Levy
- B&R
- Granados
- Castrum
- Mestre das Poções
- o próprio Flávio
- os Frades
- Rotenfuss (este que vos escreve)

Eu levei para serem degustadas 16l de Maracugina 2.0 (com menos maracujá), 2l de Maracugina 1.0 (com MUITO maracujá) e 2l de Witbier com Acerola.

Todas foram muito bem recebidas. O interessante foi ver a reação das pessoas ao aroma e sabor inesperado de fruta. Afinal, poucos alí já haviam experimentado uma fruit bier. O engraçado é que servir fruit beer em um evento assim faz parecer que você está com uma barraca de sucos.

- Você aceita maracujá ou acerola? – Repeti essa frase a noite toda.

Além disso alguns paradigmas foram quebrados. Um dos participantes que me procurou, ao saber que a cerveja que tinha alí era de trigo, na mesma hora me disse:

- Obrigado, não gosto de cerveja de trigo.

Bastou explicar que a cerveja de trigo que ele havia experimentado antes e não tinha gostado era uma Weissen alemã, mais maltada e encorpada que uma Witbier belga, que ele já se abriu para degustar as wit. Como ele não gostava de maracujá, foi de Acerola. Resultado? Gostou muito. Tanto que levou um copo de Maracugina para a esposa e meia hora depois já veio perguntar se eu poderia brassar 20l só para ele.

A satisfação pessoal de ver aquilo que fazemos com muita dedicação, só para nós mesmos, ser apreciado por outras pessoas é indescritível. E não só isso, várias pessoas perguntaram como elas faziam para conseguir mais Maracugina depois do evento.

Agora, um ponto que preciso trabalhar é no rótulo e na identidade da marca. Ir a um evento desse sem rótulo é complicado, pois todos querem ver como você se apresenta. Para isso já estou repensando o rótulo with a little help from my mother (parafraseando o Beattle Ringo Star). Aguardem.

Outro ponto alto da noite foi quando o Nunes e a Levy tiraram da sacola a ÚLTIMA garrafa da Toucinho. Aquela Toucinho que foi a Rauch Bier campeã no Concurso Nacional das ACervas de 2011. A cerveja é fantástica. Inconfundivelmente uma Rauch, tanto no aroma como no sabor. No entanto foi a Rauch que tomei até hoje com o melhor drinkabillity (se é que existe essa palavra). Uma Rauch boa e fácil de beber.

Parabéns mais uma vez Nunes e Levy.

Nunes com a Toucinho

Ps.: Atendendo a pedidos o nome correto é Toicinho e não era a última garrafa hehehehehe.

Resumo da ópera

Depois de muito propagandear as últimas brassagens fiquei devendo contar qual foi o resultado.

Primeiro a IPA com CITRA. Ficou bem interessante.
Coloração acobreada puxando para o marrom, boa carbonatação e espuma de consistência média, um pouco turva.
Aroma puxado para o amargo e um pouco do caramelo.
Sabor com amargor pronunciado, um pouco de cítrico (bem pouco, vou colocar o dobro de Citra da próxima vez) e um pouco de torrado e caramelo. Com um corpo médio para suportar o amargor.
Acho que ficou bemd entro do estilo e bem próxima do que eu pretendia. Uma cerveja mais amarga e com mais corpo que a IPA #1. Só ficou deixando a desejar no crítrico que ficou fraco.

Witbier com Maracujá
Coloração amarelada forte e com turbidez característica do estilo. Espuma abundando e consistente. Alta carbonatação.
Aroma bem forte de maracujá.
Cerveja de corpo leve e refrescante, bem pouco sabor maltado e um leve amargor. O sabor que sobressai é o maracujá, tanto no gosto como na citricidade e na acidez.
Ficou super refrescante. Cerveja errada para a época do ano, sendo mais apropriada para o verão. Uma ótima cerveja para quem diz que não gosta de cerveja e para churrascos de verão.

Witbier com Acerola
Coloração alaranjada e com turbidez característica do estilo. Espuma abundando e consistente e com bastante carbonatação.
Aroma típico da acerola, um pouco forte e não tão agradável como o maracujá.
Sabor mais leve de acerola com uma citricidade e acidez mais baixas.
Experiência válida mas não sei se repetirei. Ficou interessante mas não muito ao meu gosto. Se bem que eu nunca fui muito fã de acerola. A idéia foi experimentar com frutas cítricas e ácidas para ver qual combinava mais com uma witbier.

Resultado: IPA Citra vai entrar para o portfolio assim que eu acertar a quantidade de lúpulo de aroma e sabor. Na próxima tentativa vai o dobro do que usei e vou ver se não esqueço o dry hopping.
Witbier com maracujá aprovadíssima por mim e pela Renata. Já entrou pro portfolio junto com a HOMBRE. Só preciso batiza-la agora.
Witbier com acerola é interessante mas não sei se repetirei.

Próxima experiência será a mesma receita base de witbier com abacaxi.
Na sequência vem uma Strong Dark Ale baseada na HOMBRE com menos lúpulo e T-58 e mais um lote de HOMBRE com T-58.