1a Festa da Cerveja Artesanal em Tatuí-SP

Eu com minha esposa, família e amigos que foram prestigiar o evento

No último dia 23 aconteceu a 1a Festa da Cerveja Artesanal em Tatuí-SP. Este evento, do qual participei, foi organizado pelo Rotary Tatuí em conjunto com o professor/cervejeiro Flávio Isaac.

O idéia do evento, pelo que conta o Flávio, surgiu de uma conversa com o Rotary que estava interessado em fazer um jantar com vinhos artesanais. O Flávio conseguiu convencer o Rotary que cervejas artesanais seria mais interessante por propor uma mudança de hábitos e paradigmas das pessoas que fossem ao jantar.

Dito e feito. O jantar lotou sem qualquer divulgação prévia. Só no boca a boca apareceram cerca de 180 pessoas.

Para saciar a sede de tantos o Flávio recrutou um time bom de cervejeiros que levaram a sua produção para degustação. Foram:
– Nunes e Levy
– B&R
– Granados
– Castrum
– Mestre das Poções
– o próprio Flávio
– os Frades
– Rotenfuss (este que vos escreve)

Eu levei para serem degustadas 16l de Maracugina 2.0 (com menos maracujá), 2l de Maracugina 1.0 (com MUITO maracujá) e 2l de Witbier com Acerola.

Todas foram muito bem recebidas. O interessante foi ver a reação das pessoas ao aroma e sabor inesperado de fruta. Afinal, poucos alí já haviam experimentado uma fruit bier. O engraçado é que servir fruit beer em um evento assim faz parecer que você está com uma barraca de sucos.

– Você aceita maracujá ou acerola? – Repeti essa frase a noite toda.

Além disso alguns paradigmas foram quebrados. Um dos participantes que me procurou, ao saber que a cerveja que tinha alí era de trigo, na mesma hora me disse:

– Obrigado, não gosto de cerveja de trigo.

Bastou explicar que a cerveja de trigo que ele havia experimentado antes e não tinha gostado era uma Weissen alemã, mais maltada e encorpada que uma Witbier belga, que ele já se abriu para degustar as wit. Como ele não gostava de maracujá, foi de Acerola. Resultado? Gostou muito. Tanto que levou um copo de Maracugina para a esposa e meia hora depois já veio perguntar se eu poderia brassar 20l só para ele.

A satisfação pessoal de ver aquilo que fazemos com muita dedicação, só para nós mesmos, ser apreciado por outras pessoas é indescritível. E não só isso, várias pessoas perguntaram como elas faziam para conseguir mais Maracugina depois do evento.

Agora, um ponto que preciso trabalhar é no rótulo e na identidade da marca. Ir a um evento desse sem rótulo é complicado, pois todos querem ver como você se apresenta. Para isso já estou repensando o rótulo with a little help from my mother (parafraseando o Beattle Ringo Star). Aguardem.

Outro ponto alto da noite foi quando o Nunes e a Levy tiraram da sacola a ÚLTIMA garrafa da Toucinho. Aquela Toucinho que foi a Rauch Bier campeã no Concurso Nacional das ACervas de 2011. A cerveja é fantástica. Inconfundivelmente uma Rauch, tanto no aroma como no sabor. No entanto foi a Rauch que tomei até hoje com o melhor drinkabillity (se é que existe essa palavra). Uma Rauch boa e fácil de beber.

Parabéns mais uma vez Nunes e Levy.

Nunes com a Toucinho

Ps.: Atendendo a pedidos o nome correto é Toicinho e não era a última garrafa hehehehehe.

pLambic?!?

Oi. Tem alguém vivo aí dentro?

Acredito que alguns depois de ler a listas das brassagens programadas para o segundo semestre deve ter ficado pensando: “O que diabos é pLambic? Lambic eu conheço, mas pLambic não”.

Acho que o uso do termo merece uma explicação.
Primeiro, para quem não conhece, Lambic é um estilo de sour beer (cerveja azeda) produzida somente na Bélgica. É uma cerveja caracterizada por não usar nem fermentos de alta, nem de baixa fermentação, e sim por ser feita com fermentação expontânea. Por muito tempo acreditavasse que as leveduras vinham pelo ar mas depois se descobriu que as leveduras estavam impregnadas nas pareder, pás e barris das cervejarias. E são estas leveduras do ambiente que inoculadas no mosto pela atividade cervejeira que vão fermenta-la. Além do fermento, as bactérias presentes nestes locais também são de suma importância na produção dos sabores característicos destas cervejas. Outro ponto importante é que para o sabor produzido pelas bactérias se desenvolver, as cervejas azedas precisam ser maturadas por longos períodos (até mais de 3 anos).

As Lambics são somente um dos estilos de cervejas azedas. As demais são Berliner Weissen, Oud Bruin, Red Flanders, Goose, Gueuze e Fruit Lambics.

Por usarem leveduras selvagens e bactérias a maior dificuldade em produzir estas cervejas em casa é a obtenção das leveduras e bactérias corretas.

Depois de um tempo investigando acabei encontrando um blend de fermento e bactérias para a produção caseira de Lambics, o Wyeast 3278 – Belgian Lambic Blend™.

Uma vez conseguido o fermento passei a estudar os ingredientes e o processo de produção. E foi nesta pesquisa que me deparei com o termo pLambic, ou pure culture Lambic, que é usado por cervejeiros caseiros norte americanos para diferenciar as Lambics verdadeiras feitas na Bélgica pelo método tradicional, das feitas utilizando blends que produzem resultados similares.

Estes foram algumas das fontes que pesquisei:
The Biohazard Lambic Brewers Page
HopfenTreader
The Mad Fermentationist
Wyeast Laboratories – 3278 Belgian Lambic Blend™
Wyeast Laboratories – Wild Beer Brewing

Agora com os bichinhos na mão, receita feita e brassagem programada o difícil vai ser controlar a paciência e esperar 1 ano para ver se ficou boa.

E pior, se eu quiser seguir o estilo ao pé da letra, esperar até 3 anos produzindo cerveja de 3 em 3 meses para ir misturando ao longo do tempo. Assim vou conseguir produzir Straight Lambic, Gueuze e Fruit Lambic.

UPDATE (20 de Julho)
Os bichinhos chegaram… UHUUUUUUUUUUUUUUU. Agora é só programar a brassagem.

Programação de brassagens para o 2o semestre

Me empolguei e comprei mais de 35kg de malte em junho. Além disso aproveitei que uma amiga foi para a Alemanha e encomendei fermentos líquidos para fazer Lambic e alguns fermentos em pó. Agora é me programar para brassar e consumir as matérias prima.

1- Robust Porter #1 – 17 de julho
2- Robust Porter #2 – 31 de julho
3- pLambic #1 – 21 de agosto
4- Strong Amber Ale #1 – 18 de setembro
5- HOMBRE (desta vez de propósito) – 25 de setembro
6- Witbier com Tamarindo – 2 de outubro
7- IPA Citra (para acertar a receita) – 9 de outubro
8- A definir – 23 de outubro
9- pLambic #2 – 6 de novembro (para reaproveitar o fermento)

Atualização 23/11/2011:
1- Feito
2- Feito
3- Feito
4- Feito
5- Feito
6- Não feito
7- Não feito
8- Pale Ale – Feito
9- Ainda programado para Fevereiro/2012

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