Novo equipamento

Quando resolvi começar a fazer cerveja em casa pensei em montar um equipamento simples mas o suficiente para aprender o processo, fazer experiências e poder saborear as cervejas que eu mesmo fizesse. Segui os conselhos e fui para um equipamento de 20l bem simples. 3 panelas de 36l com registro, fundo falso, fogareiro de alta pressão, chiller de imersão e etc.

Mas acho que mais cedo ou mais tarde todo cervejeiro caseiro chega em um ponto em que percebe que seu equipamento pode ser melhorado ou que 20l é pouco e acaba rápido, ou os dois. Eu cheguei nesse ponto bem mais cedo do que imaginava. Com apenas 4 meses e 6 levas feitas já queria melhorar o equipamento. Daí uma coisa levou a outra, ou melhor, o Jaques entrou na jogada.

Primeiro pensei em melhorar as minhas panelas reposicionando os registros mais para baixo e mudando de fundo falso para bazooka.

Daí eu pensei.

Jaques vou mexer nos registros e mudar para bazooka, vou comprar registro novo de inox.
Jaques vou mexer nos registros vou comprar panela nova.
Jaques vou comprar panela nova vou procurar de inox.
Jaques vou comprar panela nova vou aumentar o volume de produção.
Jaques vou comprar válvulas novas vou comprar uns termômetros novos.
Jaques vou aumentar o volume de produção vou procurar keg usado ao invés de panela.
Jaques vou usar keg e válvula nova vou comprar na gringa os kits para keg.
Jaques vou comprar as coisas na gringa vou comprar o fundo falso para keg, um moedor, uma bomba para transferência e recirculação, etc. etc. etc..
Jaques vou fazer tudo isso vou construir uma bancada 1 tier com 3 queimadores para fazer cerveja de forma mais organizada possível.

Como disse, uma coisa levou a outra.

Tudo novo já foi comprado. Agora é cortar e furar os kegs, preparar as mangueiras e começar a brassar. Depois vou correr atrás da construção da bancada.

Vou postando as fotos a medida que os equipamentos novos forem sendo montados e fabricados.

Bancada 1 tier - Vou tentar fazer algo parecido mas sem a automação.

Termometro weldless

Moedor Barley Crusher

Válvulas de inox 3 piece

Fundo Falso para Keg

Engate rápido de inox

Update (13/12/2011):

Como tenho visto algumas algumas pessoas que chegam ao blog depois de pesquisar por equipamentos no Google resolvi listar os lugares que fiz as compras
www.bargainfittings.com – válvula, kit para montagem no keg, tubos pescadores, termômetro, visor de nível, engates rápidos
www.northernbrewer.com – bomba de transferência e recirculação, fundo falso para keg, moedor de grãos

Nenhum destes dois sites envia para o Brasil, portanto seguem mais algumas referências para compra no exterior ou no Brasil (nunca comprei nada deles, portanto não posso recomendar nem positiva nem negativamente):
www.chicompany.net – equipamentos em geral USA
www.homebrewing.org – equipamentos em geral USA
www.acepil.com.br – conexões em inox inclusive engates rápidos Brasil

Uma questão de contexto.

Acho que todo mundo já ouviu de outros colegas cervejeiros ou apreciadores de cerveja comentários parecidos com os abaixo.

– Para mim as Baden são muito alcóolicas, elas estão fora do estilo.
– A Red Ale da Baden está mais para uma barley wine do que uma red ale.
– As cervejas da Amazon são muito fraquinhas.
– A Guinness é muito seca e com pouco álcool.
– Eu prefiro maturar pelo menos 1 mês as minhas cervejas na garrafa, assim elas ficam mais próximas das cervejas importadas.
– American IPA nem é tão diferente assim das IPA inglesas.

Muitos desses comentários são feitos sem considerar o contexto em que a cerveja foi fabricada ou degustada.

Contexto histórico, comercial, geográfico, gastronômico, etc.

O primeiro caso é o contexto geográfico. Se uma cervejaria está localizada em uma região com um determinado clima e suas cervejas foram concebidas para serem consumidas localmente, nada melhor do que adequa-las ao clima local.
Primeiro exemplo são as Baden Baden de Campos do Jordão. Campos é uma conhecida estância climática no alto da Serra da Mantiqueira com temperaturas que vão de 23oC/13oC (médias máxima e mínimas) no verão a 16oC/4oC no inverno. Com um clima mais frio nada melhor que uma cerveja com o teor alcóolico e percepção do álcool mais acentuadas.
Segundo exemplo são as cervejas da Amazon Beer de Belém do Pará criticadas por serem leves demais, tendo a Bacuri só 1,8% ABV. Belém do Pará registra temperaturas máximas médias de 31oC e mínimas médias de 22oC. Nada melhor que uma cerveja leve para refrescar o corpo nesses dias quentes.

O segundo caso é o contexto de onde a cerveja é consumida. A Guinness é um exemplo clássico de cerveja de pub. E não existe inglês ou irlandês que se preze que vá a um pub para beber somente um pint. Fosse a Guinness uma cerveja mais encorpada e com um teor alcóolico muito maior que seus 4.2% ABV dificilmente alguém conseguiria consumir mais do que um pint em uma noite.

Neste mesmo contexto mas olhando por outro ângulo podemos levantar a questão do frescor vs. maturação. Existe uma certa obceção dos home brewers brasileiros em maturar na garrafa excessivamente (na minha opinião) alguns estilos de cerveja. Algo que muitos esquecem é que a mesma cerveja se consumida em locais diferentes irá apresentar sabor e aroma diferentes. O maior culpado disso é o transporte e a armazenagem. Um fato que muitos ignoram é que nós, no Brasil, só bebemos cervejas importadas OXIDADAS e MALTRATADAS pelo transporte. E se ignorarmos esse fato ficaremos com o conceito errado que um pouco de OXIDAÇÃO É BOM. Quem já tomou uma American IPA na torneira da cervejaria que a fez nos EUA, ou tomou uma Baladin lá no vale do Barolo na Itália sabe que a cerveja que tomamos no Brasil é apenas uma sombra do que ele é na origem.

Por isso sempre que formos degustar e avaliar uma cerveja é preciso levar em consideração o contexto.

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