Linus&The Great Pumpkin Ale

Linus & The Great Pumpkin

O fato de eu resolver fazer esta cerveja teve na verdade vários culpados. O principal deles foi o Alex Mecenas. Ele foi o culpado de influenciar minha esposa a querer uma Pumpkin Ale. Ele foi o culpado de fazer uma Pumpkin tão boa para o festival do concurso nacional que eu fui persuadido (pela Renata) a tentar fazer uma igual.

Eu e o Alex no festival do concurso nacional

Os outros culpados foram o Renato da Sauber Beer e o Phil que ajudaram com a receita.

Um dos fatos engraçados desta busca pela receita foi que, para todos que perguntava por sugestões ou referências de receitas, a resposta era:”Pumpkin?!? Vai dar trabalho. Se prepara”. Nessas conversas o Renato falou que toda vez que ele faz pumpkin ela entope tudo na recirculação e que a abóbora cria uma gosma que não tem bomba que aguente.

Foi embalado por esse terrorismo todo que me preparei para fazer a “Linus&The Great Pumpkin” Ale em homenagem ao personagem que é meu xará e a sua figura mística preferida. O filme/especial para TV se chama na verdade “It’s the Great Pumpkin Charlie Brown” (“É a grande abóbora Charlie Brown”), mas como o meu nome também é Linus a cerveja vai ficar batizada como “Linus&The Great Pumpkin” Ale mesmo.

It’s The Great Pumpkin Charlie Brown

No final eu segui a receita do Phil e só modifiquei um pouco os condimentos e reduzi a quantidade de 40l para 20l (o terrorismo falou mais alto nessa hora e resolvi diminuir a quantidade de cerveja para facilitar o processo).

5Kg Pilsen
0,35Kg Munich
0,25Kg Melanoidina
0,35 Kg Caramunich
0,25Kg Special B
4kg de abóbora descascada, sem semente e assada em forno por 2 horas adicionada durante a mostura
50g Fuggles a 60min
1 pc S-33 hidratado
1 pc T-58 hidratado
2g Canela em pedaços a 15min do final da fervura
2g Noz-moscada em pó a 15min do final da fervura
2g Cravo a 15min do final da fervura

Mostura a 68oC por uma hora e mais 15 minutos de mash out a 74oC
OG 1078 g/l

Com os contos de terror sobre a recirculação ecoando na minha cabeça eu coloquei as abóboras na mostura dentro de um grain bag de voil. Isso deve ter ajudado muito pois não tive um entupimento sequer durante a mostura e recirculação. A primeira parte do processo foi tão tranquila que consegui lavar todos os grãos e obtive 30l de mosto a 1065g/l (mais alto do que o estimado que era 1050g/l). Empolgado com essa tranquilidade resolvi retirar a abóbora da mostura e colocar também na fervura (dentro do grain bag ainda) para intensificar o seu gosto e aroma.

Recirculando

Mas foi durante a fervura que o terror começou. Primeiro foi o lúpulo que estava em um hop bag… O hop bag abriu e o lúpulo ficou todo disperso no mosto. Até aí tudo bem, afinal um monte de gente não usa hop bag mesmo. Depois foi o grain bag com a abóbora que soltou e caiu dentro da panela revirando e soltando vários pedaços de abóbora no mosto fervente. Nessa hora, faltando uns 15 minutos para o final da fervura, resolvi tirar o grain bag com a abóbora que ainda estava dentro dele da fervura e adicionar os condimentos direto no mosto.

Daí até o final da fervura foi tudo tranquilo. O pesadelo começou quando liguei a bomba para o whirpool e para resfriar o mosto. 5 minutos de bomba ligada e nada de começar o whirpool. Chequei as mangueiras e por mais que a válvula da bomba estivesse toda aberta o mosto não circulava. Aconteceu o que temia. A abóbora que caiu na panela, junto com os pedaços de cravo entupiram as válvulas, as mangueiras e o chiller.

Nessa hora resolvi mandar todo o mosto que conseguisse direto para o fermentador por mais que não fosse para resfriar até 20oC. Deste momento em diante foram somente 2 agonizantes horas para transferir 20l de mosto (40oC) a conta gotas para o fermentador. Terminada essa etapa lenta e tensa coloquei o fermentador na geladeira para que ela terminasse de resfriar os 20oC restantes para a inoculação do fermento.

Agora ela está lá, borbulhando na geladeira. E por lá vai ficar por mais 10 dias até que eu abaixe a temperatura e adicione a gelatina para ajudar a decantar o fermento e as particulas sólidas que foram para o fermentador.

Espero que em 3 semanas já de para experimentar e que a grande abóbora possa finalmente, no dia 31 de outubro, aparecer para o Linus no campo de abóboras mais próximo.

UPDATE 11/10/2012:
Ontem transferi a cerveja de um fermentador (50l) para o outro (20l) pois precisava de espaço na geladeira e aproveitei para medir o FG e experimentar um pouco. O FG deu 1020g/l, mais baixo do que eu esperava, deixando a cerveja com 7.7% ABV. A primeira impressão que tive foi que o aroma e sabor de cravo e noz moscada ficaram bem fortes enquanto a abóbora está mais sutil. Vou deixar mais uma semana e meia a 0oC, adicionando gelatina nos últimos dias, e depois coloco no post mix para experimentar carbonatada.

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5 comentários em “Linus&The Great Pumpkin Ale”

  1. Muito bom, Linus! Parabéns!
    Os dois pacotes de fermentos foram juntos nos 20l?
    Meu pai gostou da pumpkin da Sauber… rodei hahahaha!!
    Vou replicar sua receita, direitos autorais liberados?!
    Abração!!

    1. Os dos pacotes foram juntos porque era o que tinha, mas poderia usar US05 sem problemas.
      Por usar a receita a vontade. Minhas receitas são de domínio público hehehe. Só cuidado para não entupir tudo. Depois contra como foi.

  2. Olá.
    Tenho uma dúvida quanto a adição de gelatina para clarificar a cerveja, mas não consegui comentar no post ” ‘Filtrando’ cerveja caseira” então vim aqui mesmo.
    Bom, pelo fato da gelatina levar para o fundo resíduos existentes na cerveja, inclusive parte do fermento, o priming não é afetado? Mesmo com a utilização da gelatina na maturação a cerveja vai ficar com gás e espuma?
    (me desculpe por perguntar por aqui, mas não achei outra maneira)
    Obrigado

    1. Oi, sem problemas conectar aqui. Usar a gelatina para clarificar vai no máximo atrasar um pouco a carbonatação com priming. E o priming vai tirar um pouco dos benefícios da gelatina. Mas com certeza o resultado fica melhor do que se não usar.

Os comentários estão encerrados.