Cientista louco

Sempre que leio em fórums de discussão de cerveja caseira o pessoal falando em fazer experiências adicionando fruta, flor, substituindo o lúpulo por ervas, experimentanto com fermentos diferentes, etc. tenho mais certeza que todos temos um pouco de cientista louco. E sempre nessas conversas surge o dilema: Fazer experiências ou fazer cerveja dentro dos estilo tradicionais?

Por mais que seja uma paródia acho que todo cervejeiro caseiro tem um pouco do personagem da propaganda do Buffalo Wild Wings.

Acho saudável esse tipo de maluquice como bem sabe os que leem o blog a mais tempo.
https://rotenfussbier.wordpress.com/2011/06/09/cerveja-com-geleia/
https://rotenfussbier.wordpress.com/2011/06/09/4a-brassagem-o-ceu-e-o-limite/
https://rotenfussbier.wordpress.com/2011/08/03/cerveja-e-o-movimento-modernista-brasileiro/

Mas hoje, depois de quase 2 anos fazendo cerveja em casa, tenho uma visão um pouco diferente sobre o assunto.

As vezes paro para pensar se as cervejas que fiz no meu primeiro ano eram realmente tão boas quanto eu achei na época. Com certeza não eram, muitas foram fermentadas a temperatura ambiente e sem controle correto da quantidade de fermento utilizado. Penso até que, se fosse toma-las hoje, algumas delas iriam para o ralo.

Mas o que isso tem a ver com as experiências malucas? Calma, eu chego lá.

Mas talvez, experimentar essas cervejas do primeiro ano hoje seria uma grande chance de ver o quanto eu evolui no controle de processo e na qualidade das cervejas que faço. Afinal hoje consigo identificar uma gama muito maior de off flavors do que conseguia 1 ano a 1 ano e meio atrás.

E é justamente essa dificuldade de identificar off flavors (as vezes sutis) que as experiências malucas podem atrapalhar (mais do que ajudar) o cervejeiro iniciante. E se na hora de degustar aquela wit bier feita com erva cidreira e casca de abacaxi o gosto dela for intragável? Como identificar a fonte do problema? Será que foi a casca do abacaxi? A erva cidreira? Problema de fermentação? Contaminação? etc.

Portanto acho que tão importante como inventar e fazer o que der na cabeça é preciso aprender e evoluir a técnica de forma consciente. Para isso fica a sugestão de sempre que for fazer alguma experiência adicionando um ingrediente diferente ou mudando parte do processo, separar um pouco do mosto sem adição de ingredientes extras e seguir o processo convencional para comparar os resultados. Assim pode-se experimentar coisas novas e analisar se o processo foi bem controla.

4 Responses to Cientista louco

  1. Boa dica!
    Vemos por aqui também essa evolução na qualidade das cervejas feitas em casa. E realmente acontecem essas situações de fazer boas misturas porém com resultados não tão bons.
    No primeiro momento é automático achar que a mistura é que não deu certo. Mas, faz todo sentido investigar para descobrir se o problema foi nessa mistura ou nessa brassagem. Bem pensada essa sugestão de guardar uma parte sem as misturas. Valeu por compartilhar.

    • Marcelo, sinceramente faz um tempo que não faço experiências assim por medo de estragar as cervejas. Mas refletindo semana passado sobre isso acabei pensando em fazer a separação dos lotes para ter um ponto de controle.
      Abraços

  2. Outra avaliação a ser feita é repetir a receita com pequenas variações entre uma brassagem e outra. Dividir o mosto e fazer duas fervuras também é uma experiência boa… Infelizmente o tempo maltrata ou melhora algumas cervejas, dificultando a comparação lado a lado com cervejas mais antigas.

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