Junkersdorfer Kellerbier

Como expliquei no post anterior a primeira experiência ao fazer cerveja na Alemanha foi comparar extrato de malte com all grain. Usei um extrato de malte light (pilsen claro) já lupulado e somente malte base na all grain com os lupulos calculados para teoricamente o mesmo IBU. Na all grain o mashing todo foi feita a 65oC. Ambas foram resfriadas a noite na sacada do apartamento, fermentadas sem controle de temperatura no porão do prédio (Keller em alemão), dry hopping por 14 dias e engarrafadas na sequência.

Comparando as duas, primeiro a cor, a all grain ficou com uma cor acobreada (malte base pale ale usado ao invés de pilsen que daria uma cor mais clara) do que a de extrato que ficou amarelada. Ambas ficaram um pouco turvas por falta de floculação do fermento. O amargor inicial ficou mais harsh (agressivo) na cerveja com extrato. Aroma muito parecido entre as duas. Um pouco de off flavors devido a fermentação sem controle de temperatura mas nenhum DMS por causa do resfriamento lento.

Minhas primeiras conclusões foram que usar extrato de malte simplifica o processo mas não agrega muito em termos de resultado e controle do processo, então por mais que demore mais o all grain ainda é o meu preferido. Fazer “no chill” pode ser uma boa alternativa durante o inverno, algo que devo ainda experimentar no verão. Fazer a fermentação sem controle de temperatura pode dar um resultado satisfatório mas definitivamente preciso pensar em talvez comprar uma geladeira no futuro. Mas no geral a experiência foi divertida e produtiva.

Alguns links úteis.

 

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Eu voltei…

Voltei para ficar… Porque aqui. Aqui é meu lugar…

Pouco mais de 4 anos depois do último post no blog talvez seja hora de voltar a escrever aqui.

Nesse tempo muita coisa aconteceu. Dei curso de cerveja caseira, parei de dar curso de cerveja caseira. Mudei de equipamento (2 vezes). Mudamos de casa. Mudamos de país.

Mas algumas coisas não mudaram, continuei experimentando muita cerveja (boas e ruins), fazendo cerveja em casa (boas e ruims), fazendo amigos (só bons, UFA) e conhecendo muitos lugares bacana.

Talvez o mais relevante tenha sido a mudança para a Alemanha em Abril de 2015 e o recomeço da atividade de cervejeiro caseiro em Janeiro de 2016.

Demorou um tempo depois da mudança até que eu descobrisse um colega de trabalho que é cervejeiro caseiro aqui na Alemanha. Afinal somos raros por aqui. A reação mais comum quando falo que faço cerveja em casa é um misto de “Será que esse cara é louco?” com “Será que esse cara é um bruxo?”.

Outra coisa foi que resolvi aproveitar e repensar o processo todo e em formas de simplifica-lo ao máximo tanto para reduzir o tempo/trabalho envolvido como o equipamento necessário.

Comecei então a pesquisar que tipo de equipamentos estavam disponíveis por aqui e depois de conversar um pouco com o Dennis acabei aceitando a oferta dele e peguei um equipamento pequeno emprestado. Também resolvi experimentar fazer um lote com extrato de malte e outro com grãos para comparar e fazer o processo todo sem resfriamento forçado (no chill).

O próximo passo foi entender a legislação alemã sobre fabricação caseira de cerveja e fazer o cadastro no Zollamt (equivalente a receita federal) como cervejeiro caseiro. (UPDATE: Adicionei alguns links sobre o assunto no pé do texto para quem quiser mais informações)

Ingredientes (malte, água, lúpulo, fermento, sanitizante, carbo tabs, etc.) e equipamentos menores (termometro, baldes, garrafas, densímetro, etc.) comprados foi a hora de começar a fazer cerveja.

Escolhi fazer 2 receitas bem simples tipo SMaSH (Single Malt & Single Hop) sendo uma all grain e outra com extrato de malte (hopped). Calculei a quantidade de lúpulo para dar teoricamento o mesmo nível de IBU que estava indicado no extrato de malte para conseguir comparar as duas cervejas e como ia usar No Chill decidi não adicionar nenhum lúpulo de aroma no final da fervura e fazer só dry hopping.

O equipamento emprestado foi uma panela elétrica de 25l geralmente usada por essas bandas para fazer e servir vinho quente (Glühwein) no inverno. As vantagems, além de ser elétrica, é já ter uma torneira e um termostato embutido. Como filtro para a mostura a panela tinha instalada uma mola de inox em um T ligado a torneira, super simples e eficiente. Quando a mola fica em formato de circulo ela abre alguns espaços entre seus elos para a filtração.

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O processo todo foi sem maiores problemas (ainda lembrava como fazer UFA). A cerveja all grain teve uma eficiência razoável já que não tive muito cuidado no sparging. Ambas as cervejas o resfriamento foi feito de um dia para o outro deixando o balde fermentador na varanda do apartamento (o frio do inverno alemão ajudou a baixar bem a temperatura) e a inoculação do fermento seco American Ale – US05 (direto sem hidratação já que estou indo para o processo No Chill No Frills) foi feita no dia seguinte de manhã.

A fermentação toda foi feita no keller (porão) do prédio sem controle algum (O HORROR, O HORROR) já que a temperatura lá é mais estável e de novo resolvi não complicar no equipamento. Uma semana de fermentação fix o dry hopping com lúpulus em flor e mais 2 semanas de lagering (ou kellering hehehehe ou de espera) e as cervejas foram engarrafadas usando carbonating drops.

O resultado conto depois…

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UPDATE: Links úteis sobre o processo de registro no Zollamt (maioria em alemão as o Google Translate ajuda) :

https://www.hobbybrauerversand.de/Legal

http://www.zoll.de/DE/Privatpersonen/Alkohol-Kaffee-Kraftstoffe-Strom-im-Haushalt/Brauen-Brennen-Roesten/Bier/bier.html

http://hobbybrauer.de/forum/wiki/doku.php/zoll

2a turma do curso de produção caseira

No último dia 9, sábado, tivemos a 2a turma do curso de produção caseira. O conteúdo coberto no curso foi o mesmo porém desta vez o curso foi dado utilizando a panela de 5l para mostrar aos alunos que fazer cerveja é simples e não requer muito investimento.

Durante o curso fizemos uma receita de Black IPA com lúpulo Chinook que está agora fermentando e deve ficar pronta para degustação até o dia 29 de março.

A receita foi a seguinte (calculada para 55% de eficiência):
1.5kg malte Weyermann Vienna
0.1kg malte Castle Cara120
0.15kg malte Weyermann Carafa I
7g lúpulo Magnum a 60min para 58 IBU
15g lúpulo Chinook a 0 min
OG esperado 1070g/l obtido 1065g/l
Fermentado com US-05 a 17oC por uma semana.

Cerveja da casa da fazenda ou Saison de Piedade

Dando continuidade as atividades da Confraria Sorocaba marcamos no último dia 23 de fevereiro um encontro em Piedade, na chácara da família do Cláudio, para degustar a DoppelHop e brassar uma Saison. Depois de acompanhar os relatos do Edson sobre a fermentação e maturação da DoppelHop (e morrer de medo de ele tomar tudo antes do encontro), pudemos finalmente degustar esse encontro de duas escolas tão distintas. Foram dois post mix um com dry hopping de Cascade e Columbus e o outro com Cascade, Columbus e Nelson Sauvin. Os dois estavam delicioso. A estrutura de malte de doppelbock aguentou muito bem os 89IBUs e os lúpulos de aroma ficaram super presentes. A com Nelson Sauvin ficou um caso a parte, muito cítrica e aromática enquanto a outra ficou um pouco mais discreta. Quem não foi (viu Alexandre) perdeu, mas o que sobrou será engarrafado para futura degustação. Já a Saison de Piedade, uma farmhouse ale (cerveja da casa da fazenda) foi montada sem tanto conflito e drama como a outra e ficou decidido que usariamos 500ml de melado de cana lá da região de Piedade. O encontro e a brassagem foram ótimos. A família do Cláudio super simpática e hospitaleira nos ofereceu picles, carne de porco defumada tudo feito por eles. Foi preparado um mega almoço a base de chucrute, carne de porco defumada, batata e batata doce. Uma delícia que foi acompanhada por muita cerveja boa e boa conversa. Agora é aguardar a Saison de Piedade ficar pronta e agendar o próximo encontro/brassagem.

Confraria reunida
Confraria reunida
Confraria reunida
Confraria reunida
E não é que o Alex apareceu em algumas fotos
E não é que o Alex apareceu em algumas fotos
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Alex e Greco recirculando.
Alex e Greco recirculando.
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Melado sendo adicionado na fervura.
Melado sendo adicionado na fervura.
Chucrute com carne defumada.
Chucrute com carne defumada.
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Edson plugando a DoppelHop
Edson plugando a DoppelHop
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Cerveja na beira da piscina
Cerveja na beira da piscina
bagaço da brassagem
bagaço da brassagem

DoppelHop ou Doppel India Pale Lager

Tudo começou em Novembro do ano passado com uma grande brincadeira na Internet entre eu, o Edson Piovani e o Alexandre Bazzo sobre levar uma churrasqueira para a Bamberg e assar uma carne em um sábado a tarde. No final a brincadeira ficou séria e resolvemos fazer disso uma confraternização de final de ano da Confraria Sorocabana.

Durante as conversas para agendar a confraternização resolvemos brassar uma cerveja na panela dentro da Bamberg durante o churrasco e foi daí que a conversa tomou um rumo estranho. Que estilo brassar? Uns disseram American IPA outros disseram Doppel Bock e a “briga” se estabeleceu. Nessa hora vem o Edson com a proposta:”Rs… q tal uma Doppel IPA??? Mais cabeçuda hein?”. E para encerrar a discussão o anônimo (que pediu para não ser identificado) disse:”Faz então uma mistura de bock com IPA, assim agrada os ipeiros e os bockeiros.”

Estilo definido começamos a discutir a receita com o direcional “Maltes da bock, lúpulos da IPA”. E fechamos para 40l e OG 1092 g/l e 43 EBC:

8kg Pale Ale

7kg Munich

0.9kg CaraMunich II

0.5kg Melanoidina

0.2kg Chocolate

Minha sugestão tinha sido ente 30 e 40 IBUs mas tomei um puxão de orelha do anônimo nessa hora. “Linus, sobe este IBU pra 60~70, larga de miséria.” E ficou então com 81 IBU e lúpulos CCC.

80g Magnum 90 minutos

100g Cascade 5 minutos

100g Centennial 5 minutos

100g Columbus 5 minutos

Tudo isso a ser fermentado com fermento Lager direto do fermentador da Bamberg. E foi que no dia 15 de dezembro de 2012 fizemos a confraternização e brassagem da DoppelHop, que aconteceu com alguns contratempos (sabe como é, cachorro com dois donos morre de fome) tipo, esquecer de desligar o fogo para manter a temperatura na rampa, mosto quente caindo no chão, uns 2 boil over nervosos, etc. (hehehe).

Tem várias fotos do dia da brassagem na página da Confraria Sorocaba no Facebook. No final colocamos o mosto em dois galões de 20l de água mineral e o Edson Piovani levou para casa dele para fermentar. Depois de longas 3 semanas fermentando atingimos a densidade final em cerca de 1020g/l (difícil dizer com exatidão pois cada galão deu um valor diferente talvez pela quantidade de fermento diferente entre eles). Neste momento resolvemos fazer o dry hopping (nervoso) com Nelson Sauvin+Columbus+Cascade em um galão e Columbus+Cascade no outro. A cerveja será degustada na próxima confraternização da confraria no dia 23 de Fevereiro.

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