Cerveja com… Geléia???

Cerveja com... Geléia???

Tem gente que me acha maluco. Talvez eu seja. Por que será que toda vez que eu conto que coloco cerveja para maturar com geléia o povo faz cara de UÉ?
Sim. Geléia. Na segunda leva (HOMBRE, ou A Cerveja que Deu Errado) eu separei 3l e deixei maturando por somente 6 horas com geléia de amora e framboesa.

Comparando com a HOMBRE sem geléia, ela ficou, SURPRESA, bem mais balanceada e harmônica (alcóol, amargor, doce, malte, etc.).

HOMBRE Imperial IPA

Na terceira leva (IPA#3) separei cerca de 6l e deixei maturando por uma semana com as mesmas geléias mantendo a mesma proporção cerveja/geléia usada na HOMBRE. No dia que engarrafei experimentei a IPA#3 com e sem geléia e de novo a que me pareceu mais complexa foi a com geléia, embora um pouco fora do estilo.

A geléia que uso é uma geléia que só tem fruta, não tem nem açúcar nem adoçante, para que ela não influencie muito no teor alcoólico ou no sabor doce da cerveja.

Neste sábado vou lever a IPA#3 com e sem geléia para o concurso interno da Acerva Paulista. Não tenho pretensão nenhuma em ganhar o concurso mas vai ser interessante ver qual das duas tem a melhor avaliação.

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Final de semana cervejeiro

Este final de semana foi dedicado as atividades cervejeiras.

Começando no sábado com o encontro aberto da AcervA Paulista no EAP em São Paulo e terminando com a brassagem da IPA#3 e engarrafando a IPA#2 no domingo.

O encontro no EAP foi ótimo. Chegamos por volta das 11h da manhã e a brassagem e a confraternização já rolavam soltas. Pude conhecer o Nunes, pai da Tobinha e da Toucinho (que infelizmente não estavam lá para a gente experimentar) e o Alex Mecenas. Além deles (que fiquei conversando mais tempo) pude também bater um papo com o Rodrigo Casarin e o Horárcio que levou a sua ótimo IPA com Gengibre. Também experimentamos a Pale Ale do Frederico que estava muito boa. Aliás deu pra perceber que o pessoal lá é bem Hop Head. Quase todo mundo é doido por IPA.

Um momento engraçado do evento foi ouvir do Nunes a história de como ele resolveu e fez a defumação do malte para produzir a Toucinho. A Renata (minha esposa) até assustou com a história toda.

No meio da fervura não é que sai da cozinha do EAP pão de malte fresquinho feito com o bagaço da brassagem. Muito bom. E com recheio de uva passa. Já fiz os meus com linguiça calabresa e castanha do Pará, mas com uva passa fica muito bom.

No domingo acabei brassando mais uma vez uma IPA e engarrafando a minha segunda leva. Optei por fazer 3 levas seguidas de IPA para poder acertar o meu processo direito. Afinal a 1a brassagem foi com as panelas emprestadas do Reisson, a 2a brassagem foi com as minhas panelas mas com um despreparo total (rendeu só 12l) e a 3a já com uma preparação melhor.

As mudanças na receita foram mínimas.

Na 2a brassagem ao invés de 4,5kg de malte Pale Ale usei 5,5kg e adicionei 300g de açucar cristal na fervura. Os problemas nesta foram que não medi o volume de mosto extraído e fervi demais. Ou seja, o que estava com 1075 de densidade antes da fervura ficou com 1100 de OG. No final fiquei com 12l de cerveja no fermentador por uma semana. Quando refiz os cálculos  para o volume final percebi que a minha IPA#2 ia ficar com 11,5% de álcool e cerca de 90IBU. Ou seja, a IPA#2 virou a HOMBRE Imperial IPA. Ontem (domingo) engarrafei ela com 7g/l de açucar cristal para carbonatar e pude experimentar um pouco. Ficou animal. Forte, Amarga e Aromática. Mas o legal é que parece que ficou bem balanceada e com um leve adocicado no final. Acabei não medindo o FG pois não queria desperdiçar cerveja, mas deve ter ficado em torno de 1015. Resolvi fazer uma experiência também. Separei 3l, misturei com geléia de frutas vermelhas e deixei maturando por 6 horas (sei que é pouco tempo e da próxima vou deixar mais) antes de engarrafar. Agora é esperar para tomar semana que vem.

Na 3a brassagem usei 5,3kg de malte Pale Ale, 115g de CaraAroma e 100g de açucar cristal na fervura para corrigir o OG que estava em 1059 antes da fervura e pulou para 1075 depois. Mudei o lúpulo de Cascade para Citra para ver se puxa um pouco mais no aroma e sabor cítrico. Agora é fermentar por 10 dias e maturar por mais 7. Tudo a temperatura ambiente (que em casa está variando entre 12oC e 25oC).

Ontem durante a brassagem também deu para perceber onde eu preciso melhorar no meu processo. Primeiro e o mais urgente é o resfriamento. Para isso já encomendei um chiller de contrafluxo de placas que deve chegar na próxima 6af. Segundo é recirculação que tem demorado muito. Estou pensando em comprar uma bomba para fazer isso mais rápido. Por último meu fundo falso não está muito legal, tem deixado passar alguns grão mesmo depois de ter o mosto bem transparente. Ontem tive que peneirar o mosto. Vou estudar usar uma bazooka junto com o fundo falso. E por último uma geladeira para a fermentação e maturação embora ache que os resultados que venho tendo fazendo tudo a temperatura ambiente tem sido bons.

Blogueiros Brasileiros de Cerveja

“A AcervA Mineira acabou de divulgar via twitter a marca do movimento #bbc, Blogueiros Brasileiros de Cerveja, criada pelo @design_se. A iniciativa de unir todos os blogueiros de cerveja no país acabou culminando no nascimento do movimento #cervejadeverdade, que colocou a hashtag no TTBr algumas semanas atrás e causou uma grande exposição do movimento pelas cervejas de qualidade em todo o país.

O copo é o elemento mais evidente da peça, e como manda a tradição cervejeira está sempre cheio e com espuma abundante.

A espuma foi trabalhada de maneira a representar o mapa do Brasil. Afinal blogueiros de todos os estados participam da iniciativa.

As gotas de espuma que caem do copo remetem ao clássico ícone de pensamento das revistas em quadrinho. Uma bela sacada que representa a opinião de quem comenta, produz e aprecia cerveja de verdade.”

Texto extraído de http://kudbier.com.br/index.php/2011/05/19/blogueiros-brasileiros-de-cerveja/

Procure Sabor, uma Cerveja de Verdade!

Há mais de 8 mil anos a humanidade bebe cerveja. É a bebida mais consumida do mundo. Isto todos nós sabemos. Mas o que muitos desconhecem é a riqueza que essa bebida nos proporciona. São diversas cores, sabores, aromas e histórias por trás de cada gole.

Existe hoje um renascimento das cervejas de alta qualidade e queremos que todos saibam que elas existem. Nós, os blogueiros sobre a cultura cervejeira e sua gama de sabores e variedades queremos trazer as boas novas, informar e apresentar este vasto universo. Para isso, criamos o Blogueiros Brasileiros de Cerveja, o BBC. São mais de 2.000 tipos de cervejas diferentes. Há todo um universo encoberto pelo marketing e pela padronização. Mas meu paladar não sente gosto de marketing, ele quer cada dia uma sensação nova, uma surpresa. Ele não conhece cerveja por ser clara ou escura. Ele anseia por um golpe de amargor arrebatador. E por uma delicada cerveja belga no outro dia. A cultura cervejeira teve grande impacto nas nossas vida, e passamos a dar mais valor aos detalhes, ao carinho na produção de tudo que fazemos e consumimos.

Hoje, nós produzimos cerveja em casa, como há centenas de anos se fazia por todo o mundo e o processo de industrialização nos fez perder esse hábito. A nossa cerveja é única. O pão que fazemos em casa você só vai comer quando for lá. O tempero que usamos na carne, só eu faço, não compro pronto o que me oferecem. E viva a diferença, viva o sabor e a descoberta.

Estamos em busca do único, do especial, da qualidade acima de tudo! Faça um brinde comigo com uma cerveja de verdade!

You meet the nicest people on a… Bar?!?

You meet the nicest people on a… Bar?!?

 Na década de 70 a Honda tinha uma campanha publicitária nos Estados Unidos que dizia: “You meet the nicest people on a Honda”. Ou na tradução livre, você conhece as pessoas mais simpáticas em uma Honda. A campanha foi uma das grandes responsáveis pela popularização das motocicletas nos Estados Unidos.

Minha experiência pessoal diz algo parecido. Que na verdade “You meet the nicest people on a Bar”. Ou como diz aquele ditado grafado nos materiais publicitários da cervejaria americana Flying Dog “Good people drink good beer, bad people drink bad beer”.

 Eu e minha esposa temos um refúgio preferido para beber boa cerveja, bater papo e… conhecer gente interessante em Sorocaba, o Cervejário Beer Store (http://www.cervejario.com). Lá primeiro conhecemos o Reison e a Érica (proprietários) que se tornaram amigos e professores nessa história toda de fazer cerveja em casa.

Outro dia conhecemos o Marcus da Cerveja Sorocabana (http://www.cervejasorocabana.com.br) que tem me incentivado e muito pra fazer cerveja em casa e pra viajar bastante nas receitas.

E o último foi o Christian da Crying Dog (http://crying-dog.blogspot.com/) que está louco pra experimentar a IPA#1.

Acho que no final das contas, realmente, “You meet the nicest people on a Bar”.

Nova York sem repetir uma cerveja

No mês de março deste ano saí de férias do trabalho. Fomos passar uma semana em Nova York e por incrível que pareça consegui passar as duas semanas bebendo muito bem e sem repetir nem uma cerveja. Além disso pude constatar o quão adiantado esta o mercado cervejeiro americano se comparado ao Brasileiro. Quem acha que cerveja americana é tudo porcaria está redondamente enganado.

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Durante estes sete dias visitamos 3 bares que valem a pena ir. Cada um deles com mais de 40 torneiras de cerveja artesanal. O primeiro, e que apóia muito o movimento de craft brew e home brew é o Rattle’N’Hum (www.rattlenhumbarnyc.com) que fica no 14 east 33rd street. O bar é muito bom, tem um cardápio que muda bastante com mais de 50 chopes artesanais e cerca de 60 cervejas em garrafa para qualquer amante de cerveja se esbaldar. Alguns dias da semana tem música ao vivo, geralmente blues de boa qualidade. Eles sediam também alguns campeonatos de craft beer como o East vs. West IPA Challenge.

Outro bom bar é Ginger Man (www.gingerman-ny.com/) que fica na 11 east 36th street. A carta de cerveja não e tão extensa ou variada como o Rattle’N’Hum mas nem por isso tem poucas opções. Os garçons são muito bem treinados e conhecem todas as cervejas da casa. Inclusive quando minha esposa pediu uma Lambic a garçonete alertou que era uma cerveja muito ácida e que poucas pessoas gostavam. O bar é maior que o anterior mas fica em um setor mais comercial da cidade, ficando cheio de engravatados fazendo happy hour no final do dia. Não tem um clima tão descontraído e acho que nem música ao vivo.

A ultima indicação de bar é o Blind Tiger no SoHo (www.blindtigeralehouse.com/). Considerado um dos melhores bares para se beber cerveja pelo NYTimes ele atende as expectativas. Fica em um bairro mais descontraído e por isso é freqüentado por artistas, fotógrafos, profissionais liberais e afins. Fica na 281 Bleecker street. Tem, como esperavamos uma otima seleção de cervejas on tap e em garrafas.

Algo que não pode faltar em qualquer ida a NY é visitar a Brooklin Brewery, mas atenção, o único dia de visitas é sábado. Nós fomos 2af e demos com a cara na porta. Daí não adianta chorar. A cervejaria também tem seções de degustação nas 6af a tarde. É sempre bom olhar o site deles para confirmar.

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E por ultimo fomos a um festival de craft beer, o Get Real NY, com cerca de 80 barris de cerveja para degustar e 10 restaurantes servindo comidinhas para harmonizar. Além disso aconteciam em paralelo work shops e palestras sobre os mais diversos temas, home brew, harmonização, logística, negócios, etc.. Mas para saber as datas destes festivais precisa ficar de olho nos sites http://www.greatbrewers.com e http://www.getrealny.com.

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IPA #1

Aconteceu. Neste final de semana, com a ajuda do Reison e da Érica e o apoio da Renata (minha esposa), do Ernestinho e dos meus pais, brassei, ou melhor, brassamos a Rotenfuss Bier IPA #1. #1 pois é a primeira de várias que irei brassar até chegar em algo que me agrade.

Mosto fervendo

A receita foi a seguinte:

4,5 kg de Pale Ale
0,5 kg de Carared
1,0 kg de Carahell

Brassagem Rampas:
 58 C por 40min.
 68C por 20 min.
 78C por 2min (mash out)

Fervura durante 60 min.
Lúpulos:

35 gr. Galena a 60 min.
10 gr. Cascade 10 min. (ou amarillo)
20 gr. Cascade 0 min. (ou amarillo)

Fermento US 5 o u Notthingham

Fermentação por 7 dias a 21 C
Maturação por 10 dias 21 C

Dry Hopping com 30 gr. Cascade nos últimos 3 dias da maturação usando um grain bag para o sólido do lúpulo não misturar na cerveja.
Primming usando 7 gr. por litro durante 6 dias

Eu, Ernestinho e Reison

Acabei precisando emprestar as panelas e o densímetro do Reison porque não consegui juntar todo o equipamento a tempo. Mas no final deu tudo “certo”. A única coisa que me deixou meio desanimado é que a eficiência da extração do malte deu menor que 60%. O culpado foi a moagem mal feita do malte, primeiro ponto a ser melhorado para a próxima brassagem.

Me preparando para a 1a brassagem

Sou cervejeiro desde criancinha. Não faço cerveja desde pequeno mas aprecio uma boa cerveja acho que desde os meus 15 anos. Sempre gostei de beber e degustar boas cervejas. Com 18 anos quando morei na Alemanha me deliciava com Hefe Weissens, Berliner Weissens e etc. Nas breves passadas pela Bélgica em 1997 com meus pais e em 2005 para visitar uns amigos que moravam em Leuven passava mal com os cardápios super diversos de cerveja.

A cerca de um ano já estava ficando cansado de beber sempre a mesma coisa independente do rótulo estampado na garrafa e comecei, junto com minha esposa, a procurar alternativas. As cervejas artesanais brasileiras, Eisenbahn, Baden Baden, Colorado, Bamberg vieram com a alternativa. Finalmente trazendo diversidade e opção de escolha. No final do ano passado conhecemos o Cervejário em Sorocaba e pudemos finalmente saciar a sede por boas cervejas importadas e conhecer muita coisa nova e interessante.

Agora vem a próxima fase. Fazer a minha própria cerveja.

Estou me preparando a um bom tempo para a primeira brassagem. Fui atrás de literatura e já devorei metade do How to Brew do John Palmer. Pesquisei apostilas e mais material na internet. Acompanhei uma brassagem dos amigos Reisson e Érica do Cervejário. E vamos pra primeira ver no que vai dar.

O estilo escolhido foi uma IPA já que estou em uma fase que o quanto maior o IBU melhor.

O equipamento está sendo montado ainda. Por isso não tenho certeza se a brassagem sai neste domingo ou não. As panelas estão sendo montadas pelo pai do Giovanni, um amigo do trabalho. Parte do equipamento trouxe na mala da viagem de férias para os Estados Unidos. E os insumos já foram encomendados com o Reisson.

Agora é preparar o braço para moer o malte no sábado.