Acho que tá dando certo…

Os últimos meses tem sido bem interessantes tentando ao máximo resolver meus problemas de processo e finalmente tendo resultados bons nas cervejas que faço por aqui.

Como tinha falado, parti logo para a compra de um frigobar e um termostato para poder controlar melhor a fermentação, já que aparentemente o problema de sanitização estava resolvido.

O frigobar comprei usado no eBay Kleinanzeigen que é um site de venda p2p direta, sem leilão. Acabei achando um AEG usadinho por 50EU onde a única coisa que não funciona direito é a lampada.

O termostato comprei no Amazon. Escolhi o modelo Inkbird ITC-308EU por ser um termostato pronto sem necessidade de montar mais nada nele, somente plugar na tomada e configurar a temperatura.

De lá para cá foram feitas 3 cervejas.

America IPA – ainda não ficou um resultado bom. Culpa do setup do termostato pois deixei a histerese deste muito alta e mesmo definido o set point da temperatura para 17oC essa chegou até 19oC durante os primeiros dias de fermentação. E um pouco de contaminação na torneira de um dos baldes utilizados na fermentação e trasfega.

Imperial Stout – sem usar uma receita específica eu simplesmente usei todos os maltes que tinha em casa, incluindo um pouco de Carafa II. OG de 1115g/L foi o meu mais alto até hoje. A fermentação foi bem melhor controlada com a histerese do termostato setada para 0.5oC. No entanto a atenuação foi baixa deixando-a somente com 9% ABV e um final adocicado. Culpa do fermento American Ale que não deu conta de fermentar tudo. Outro problema foi que as cervejas não carbonataram nas garrafas mesmo usando Carbonator Drops (2 por garrafa de 500ml).

Pumpkin Ale – aqui seguimos (sim, quem fez a cerveja foi minha esposa, eu só ajudei) a receita da Linus and The Great Pumpkin Ale. Nessa o resultado ficou quase bom. Por ter feito metade do meu volume habitual o uso das especiarias se tornou mais delicado o que deixou o aroma e gosto de cravo e da canela muito acentuado. Mas neste caso a carbonatação foi melhor que na Imperial Stout, mas ainda abaixo do desejado.

Tanto a Imperial Stout como a Pumpkin eu levei no encontro mensal de cervejeiros caseiros de Colônia. A Pumpkin foi percebida como uma típica Pumpkin Ale americana mas para paladares alemães muito intensa nos condimentos. A Imperial Stout foi bastante elogiada apesar da baixa carbonatação.

 

 

A proxima receita será uma Belgian Tripel a ser produzida no final deste ano.

 

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Milão

(Primeiro um parentese, os posts sobre viagem vão acontecer fora de ordem cronológica portanto não me xinguem)

Milão está se tornando uma das minhas cidades preferidas na Europa. Antes de nos mudarmos para cá em 2015 já tinha visitado uma vez em 2007 mas de forma muito breve.

Nesse ano já fui duas vezes para lá, uma primeira com meus pais e a outra com minha esposa.

O que gosto de fazer sempre que viajo para uma cidade nova é caminhar muito a pé e ir descobrindo aos poucos a cidades e os lugares interessantes que possam aparecer no caminho.

Em Milão alguns lugares são visita obrigatória como o Duomo, Galeria Vittorio Emanuele II, Scala, Castello Sforzesco e a estação central. Se interessar vale a pena também turistar (ou fazer um pouco de window shopping) pelo quadrilátero da moda.

Outros lugares que gostei muito de visitar e recomendo são o distrito de Brera com belíssimos prédios históricos, ótimos restaurantes e uma linda Pinacoteca. A região del Navigli, próximo a Porta Ticinese, é bem bonita e diferente do resto da cidade e com muitos restaurantes para comer muito bem (aliás é difícil comer mal na Itália). Uma ótima opção é La Prosciutteria onde é possível sentar as margens do canal saboreando um vinho ou uma craft beer comendo uma deliciosa seleção de curados, embutidos e queijos. Aliás recomendo muito a caminhada da praça do Duomo até a Porta Ticinese para conhecer melhor a cidade.

Agora sobre cerveja. A cidade também tem algumas belas opções para beber craft beers. Uma já mencionei sendo La Prosciutteria. Outra bem em frente desta, do outro lado do canal é a BQ Birra Artigianale.

Não posso deixar de comentar sobre a Baladin Milano, que fica um pouco fora do centro ao norte de Brera, onde além de beber cervejas da casa e algumas convidadas se come muito bem, principalmente no almoço quando eles servem um menu executivo que muda todo dia.

E por último entre a Baladin e o centro de Brera fica a Hops Beer Shop Milano sempre com 4 torneiras de cervejas italianas, uma bela coleção de garrafas e um staff sempre simpático e acolhedor.

ps.: quando cansar de caminhar e beber cerveja e quiser relaxar para tomar um vinho um ótimo local é N’Ombra de Vin também próximo a Pinacoteca

ps2.: e se tiver voando de Milão-Bergamo para outro destino an Europa a dica é o bar da Elav Bireria no salão de embarque do aeroporto.

Numdeu…

Depois da primeira experiência fazendo cerveja em casa aqui na Alemanha fiquei bastante animado.

Algums meses depois já estava programando a próxima brassagem e de novo seria uma American Pale Ale, all grain com bastante dry hopping.

Comecei também a montar o meu equipamento, já que a primeira brassagem fora com equipamento emprestado.

Comprei a panela elétrica de 17L e o resto do equipamento necessário todo pela internet (links no post anterior), assim como os ingredientes. A brassagem e a fermentação foram tranquilas mas quando abri a primeira garrafa para experimentar o aroma estava estranho e a aparência também. O fermento não sedimentou, a cor estava errada, aroma de estragado e gosto meio acético. Depois de muito pensar (e tomar) cheguei a conclusão que alguns problemas podem ter acontecido.

  1. Fermentação com problemas – fermento de baixa qualidade/velho
  2. Contaminação

Trauma superado foi hora de pensar no que fazer para corrigir.

Primeiro passo foi mudar o fermento de seco para líquido (Smack Pack da WYeast) e o segundo foi mudar o sanitizante para Star San.

De novo American Pale Ale, afinal não tem porque ficar mudando de estilo de cerveja enquanto o processo não estiver certo. Brassagem, fermentação, engarrafar, tudo tranquilo.

O resultado ficou bom. O fermento sedimentou razoavelmente, sem aromas da fermentação indesejados, sem contaminação. Só não gostei do lúpulo que usei para o Dry Hopping, Mandarina Bavaria. Mas daí já é uma questão de gosto pessoal.

 

Próximo passo foi comprar um frigobar para controlar a temperatura da fermentação.

Assim que as próximas cervejas ficarem prontas eu conto mais.

Colônia

Kölsch, Kölsch, Kölsch.

De qualquer lugar que você estiver em Colônia você vai conseguir sempre avistar duas coisas. O Dom e um bar vendendo Kölsch. É a cerveja da cidade, não tem como negar ou escapar.

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E não tem como deixar de experimentar o estilo de cerveja tradicional da cidade, afinal Kölsch é um dos poucos estilos de cerveja com denominação de origem. Ou um dos únicos idiomas que é possível beber (o dialeto local também é chamado de kölsch).

Caso tenham mais curiosidade sobre a história ou a descrição oficial do estilo de cerveja Kölsch seguem alguns links interessantes.

https://en.wikipedia.org/wiki/K%C3%B6lsch_(beer)  – Inglês

https://de.wikipedia.org/wiki/K%C3%B6lsch_(Bier)  – Alemão

http://koelner-brauerei-verband.de  – Alemão

As Brauhäusern tradicionais mais conhecidas são Gaffel e Früh que ficam nos arredores do Dom e valem uma visita pelo local e pela comida (já a Kölsch servida por elas não são minhas preferidas). Outras menores também valem a pena serem visitadas. São elas a Päffgen na Friesenstraße e Zur Malzmühle próxima ao Heumarkt. A primeira é interessante por ter uma ótima Kölsch, ser menos frequentada por turistas, só disponível em chopp (von Fass) e por ainda contar com a produção da cerveja no local. A segunda por ter também uma ótima Kölsch, boa comida (o Himmel und Äd de lá é muito bom), tem história de ter recebido visitantes famosos como Bill Clinton e ter um bar ao lado que serve craft beer de outras marcas. Uma outra bem menos conhecida mas que vale a pena é a Brauhaus Heller na Roonstraße 33. Eles tem uma Kölsch honesta mas também fazem outros estilos de cerveja alemã, como uma wieß (kölsch não filtrada), altbier (pasmem) e uma ótima Maibock. Aliás a Gaffel também faz uma Sonnen Hopfen boa (base de Kölsch com dry hopping de Citra). E por último a menor Brauhaus de Colônia que também tem vários estilos é a Braustelle em Ehrenfeld.

Aproveitando para falar em craft beer… É difícil de achar. O mais comum nos bares e restaurantes da cidade é ter uma opção de Pilsner e/ou Weizen além da marca de Kölsch servida no local (a maioria dos lugares assina contratos de exclusividade com as cervejarias a lá AmBev).

Mas não é impossível de achar. Portanto segue a lista dos locais que conheço.

Mühlen Bar

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Marx und Engels – no ring

The Bird – na Aachener Straße

Skweeze Cocktail bar – no ring

Hallmackenreuther – na Brusseler Platz

Craftbeer Corner Coeln

Este último tem 15 torneiras rotativas de craft beer (além de uma bela seleção de garrafas) e fazem tap take over com diversas cervejarias com uma boa frequência. O staff conhece bastante o que está vendendo e estão sempre dispostos a conversar e ajudar a escolher o que beber. Além de oferecerem algumas cervejas “da casa” (feitas sob encomenda para o bar).

Outros lugares ótimas para aproveitar o dia em Colônia no verão (quando tiver tempo bom, o que é raro) são os biergartens. Existem vários pela cidade mas o que gosto mesmo de frequentar são

Volksgarten – Nele servem cervejas da Hellers, ou seja, Kölsch, Wieß, Weizen, Maibock e algumas outras sasonais.

Stadtgarten

Biergarten em frente ao Hyatt

Club Astoria

Por último o melhor lugar para comprar craft beer é no Schneider’s Getränkemarkt Longerich.

Junkersdorfer Kellerbier

Como expliquei no post anterior a primeira experiência ao fazer cerveja na Alemanha foi comparar extrato de malte com all grain. Usei um extrato de malte light (pilsen claro) já lupulado e somente malte base na all grain com os lupulos calculados para teoricamente o mesmo IBU. Na all grain o mashing todo foi feita a 65oC. Ambas foram resfriadas a noite na sacada do apartamento, fermentadas sem controle de temperatura no porão do prédio (Keller em alemão), dry hopping por 14 dias e engarrafadas na sequência.

Comparando as duas, primeiro a cor, a all grain ficou com uma cor acobreada (malte base pale ale usado ao invés de pilsen que daria uma cor mais clara) do que a de extrato que ficou amarelada. Ambas ficaram um pouco turvas por falta de floculação do fermento. O amargor inicial ficou mais harsh (agressivo) na cerveja com extrato. Aroma muito parecido entre as duas. Um pouco de off flavors devido a fermentação sem controle de temperatura mas nenhum DMS por causa do resfriamento lento.

Minhas primeiras conclusões foram que usar extrato de malte simplifica o processo mas não agrega muito em termos de resultado e controle do processo, então por mais que demore mais o all grain ainda é o meu preferido. Fazer “no chill” pode ser uma boa alternativa durante o inverno, algo que devo ainda experimentar no verão. Fazer a fermentação sem controle de temperatura pode dar um resultado satisfatório mas definitivamente preciso pensar em talvez comprar uma geladeira no futuro. Mas no geral a experiência foi divertida e produtiva.

Alguns links úteis.